Dagoberto conserta erro de Baresi, e São Paulo faz as pazes com a vitória

Treinador erra na escalação no início da partida contra o Atlético-GO, mas camisa 25 marca e faz o time voltar a vencer após cinco jogos no Nacional

Um dos ditados mais antigos do futebol diz que, quando as coisas não estão dando certo, a simplicidade é a arma para o início da reação. Mas o técnico Sérgio Baresi não é adepto dessa filosofia do “feijão com arroz”. Com cinco escalações diferentes em cinco jogos e várias improvisações, o São Paulo parecia que seguiria sua rotina de insucessos. Até que Dagoberto, que havia sido deixado no banco para que o meia Marlos fosse improvisado no ataque, entrou no segundo tempo e, de cabeça, garantiu a vitória que fez o Tricolor voltar a sorrir. Exatos 32 dias após Ricardo Oliveira e Fernandão garantirem o triunfo sobre o Ceará, o último até então, o time do Morumbi marcou 2 a 1 no Atlético-GO e fez as pazes com a vitória.

Momentaneamente, a zona do rebaixamento ficou mais longe. O time subiu para a 13ª colocação, com 22 pontos, oito a mais que o Atlético-GO, que vinha de três jogos sem derrota na competição. O time comandado por Renê Simões ocupa a vice-lanterna da competição.

Tricolor confuso no início da partida

Sem ter uma referência na frente, já que Fernandão e Ricardo Oliveira foram vetados pelo departamento médico, o técnico Sérgio Baresi apostou na velocidade. A tarefa, a princípio, parecia complicada, já que o desempenho dos três homens de frente não era nada animador: Marcelinho (cinco jogos e nenhum gol), Fernandinho (cinco gols em 32 jogos) e Marlos (dois gols em 62 partidas).

Quando a bola rolou, ficou clara a postura das duas equipes. O São Paulo, no 4-3-3, tomou a iniciativa. Baresi abriu Marlos na direita, Fernandinho na esquerda e colocou Marcelinho pelo meio, com a obrigação de chegar na área. Eles tinham o apoio de Jorge Wagner, que surgiu no meio-campo, e dos laterais Jean e Junior Cesar, que tinham liberdade total para apoiar. Do lado contrário, o técnico Renê Simões repetiu o que havia feito na vitória por 3 a 0 sobre o Palmeiras e escalou o time no 4-5-1. A ideia era povoar o meio-campo e buscar um contra-ataque para surpreender.

A primeira chegada de perigo na partida foi do time goiano. Aos nove, Marcão desceu nas costas de Junior Cesar e cruzou na medida para Wesley, que dominou errado dentro da área e facilitou as coisas para Rogério Ceni.

O São Paulo, apesar de ter a maior posse de bola, pecava pela previsibilidade. Como os laterais Vítor Ferraz e Thiago Feltri não subiam, Marlos e Fernandinho eram bem vigiados pelas pontas. Jean e Junior Cesar quando avançavam eram acompanhados pelos volantes adversários. Com isso, para mudar o panorama da partida, ou aparecia uma jogada individual ou um lance de bola parada. Ambas aconteceram, e o Tricolor abriu o marcador.

Aos 22, Xandão deu um bico despretensioso para o ataque. A zaga goiana marcou bobeira, Fernandinho avançou, driblou Márcio e só não marcou porque Welton Felipe salvou em cima da linha. Na cobrança curta do escanteio, Jean tabelou com Marcelinho e cruzou na cabeça de Xandão, que testou no canto esquerdo de Márcio e marcou seu primeiro gol com a camisa tricolor: São Paulo 1 a 0.

A partir daí, a partida mudou. O Atlético-GO, que até então se defendia, foi obrigado a buscar o ataque. E com isso, deixou espaços para os contra-ataques do Tricolor. Com liberdade, os homens de frente começaram a se destacar e passaram a desperdiçar oportunidades. Aos 38, Marcelinho fez belíssima jogada, passou por três marcadores, invadiu a área e bateu errado, por cima do gol. Três minutos depois, Fernandinho foi lançado pela esquerda, invadiu a área e, na hora do chute, foi travado por Daniel Marques. No lance, o camisa 12 são-paulino torceu o joelho direito. Ele tentou voltar a campo, mas com muitas dores, caiu no gramado tão logo Paulo Henrique Godoy Bezerra apitou o fim do primeiro tempo.

Etapa complementar

Os dois times voltaram com alterações para o segundo tempo. No São Paulo, Dagoberto ocupou a vaga de Fernandinho. No Atlético-GO, Renê Simões mudou um marcador no meio-campo (trocou Wesley por Agenor), e na frente, trocou Marcão, que joga fixo na área, por Juninho, que se movimenta pelos lados. Além disso, adiantou o posicionamento de Elias. Na primeira jogada da dupla, aos seis, o Dragão deixou tudo igual no marcador. Elias fez lançamento primoroso para Juninho, que avançou nas costas de Miranda, driblou Rogério Ceni e rolou a bola para o gol vazio: 1 a 1 no marcador.

A igualdade no marcador transformou o Morumbi em um caldeirão. Aos sete, Jorge Wagner disparou uma bomba da intermediária, e Márcio fez grande defesa. Com um time leve em campo, não restava outra alternativa ao São Paulo a não ser jogar por baixo. O problema é que seus homens de frente eram individualistas, o que facilitava a marcação adversária. Aos 18, Marcelinho recebeu na entrada da área de Jean e mandou por cima do gol. O Atlético-GO respondeu dois minutos depois: como se fosse uma reprise do gol, Elias lançou Juninho, que desta vez dominou no peito e bateu de primeira por cima do gol.

O maior erro do Tricolor era afunilar o jogo pelo meio. Como o Atlético-GO, em alguns lances, se defendia com todos os seus dez homens de linha, faltava espaço. A única alternativa seria abrir o jogo pelas pontas. E foi o que aconteceu aos 24 minutos. Marlos, num raro lance de lucidez, avançou pela direita e cruzou na medida para Dagoberto, que testou no canto direito de Márcio. Festa no Morumbi. Na comemoração, Dagoberto arrancou a camisa e correu para o símbolo do Tricolor que fica no meio do gramado. Ajoelhado, foi ovacionado pela torcida, mas não escapou de levar um cartão amarelo.

Daí para a frente, o jogo ganhou em emoção. O Atlético-GO até tentou esboçar nova reação, mas pregou fisicamente e facilitou as coisas para o Tricolor que, nos contra-ataques, poderia até ter conquistado uma vitória mais tranquila. A melhor chance foi aos 33, quando Marlos fez excelente jogada individual, invadiu a área e, cara a cara com Márcio, tentou dar a cavadinha para marcar um golaço e recuou para o goleiro do Dragão. Quando surgiu o apito final, festa e alívio tomaram conta do estádio do Morumbi.

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